13/05/2020

Máscaras



Em 1994 e em 2018
   Em tempos de pandemia e quarentena, sobra tempo ocioso para muita coisa, inclusive escrever poesia. Nosso amigo SD Machado (Motorista do PMT) escreveu este poema, sobre o uso de máscaras, tanto na prática, já que virou lei, como na metáfora, já que somos humanos e nos mascaramos de acordo com a ocasião.
   
  O curioso é que ele é proprietário de uma confecção de roupas infantis, e que também fabrica máscaras. Segue sua produção:



MÁSCARAS

Nos dias de hoje todos estão vivendo com MÁSCARAS.
Não se vê mais rostos, só MÁSCARAS.
Todos estão vivendo com MÁSCARAS.
Há várias MÁSCARAS, de vários jeitos, várias cores, vários tons, vários formatos, mas não deixam de ser MÁSCARAS.
A vida não poderia ser vivida com MÁSCARAS.
Mas na vida sempre se vive com MÁSCARAS.
Onde estão os rostos?
MÁSCARAS são para proteção.
Tanto do corpo quanto do ego.
Escondendo a verdadeira forma do ser em sua obra divina.
Olhando MÁSCARAS, vemos outras formas do ser, onde não enxergamos sua verdadeira face.
A pueril vida sem MÁSCARAS nos dá a certeza que poderíamos viver sem elas.
Mas na medida que se cresce, MÁSCARAS vão sendo de cunho obrigatório.
Como viver a vida sem MÁSCARAS?
Nunca iremos saber tal feito.
Nunca iremos sentir tal vento.
Nunca saberemos o real efeito.
Sempre haverá uma MÁSCARA em algum lugar por aí.
MÁSCARAS
MÁSCARAS
MÁSCARA.


SD Machado


Desenho feito pelo SD Luiz Fernades

12/03/2020

Capacete M1



   Sim, senhores, lembram daqueles capacetes de aço, que utilizamos nas instruções de tiro? Então, alguns deles foram utilizados no maior conflito bélico que a humanidade já proporcionou: a segunda guerra mundial.
Soldado da FEB

   O capacete M1 foi projetado e utilizado pelo exército americano (helmet, steel M1), no início da década de 1940 e permaneceu em uso até metade dos anos 1980, sendo substituído pelo modelo PASGT (Klevar).

   Mas como esses capacetes foram parar no EB? Através da FEB. A Força Expedicionária Brasileira combateu na Itália, ao lado do IV corpo do exército americano, que era integrado ao V exército. No teatro de operações, nossos praças receberam dos americanos todo o equipamento necessário para o combate. Com o final do conflito e a desmobilização das tropas brasileiras, os equipamentos foram agregados ao EB.

Estande em SBC/SP
   
   Os capacetes ainda serviram por muito tempo no Brasil, tanto que nossa corporação utilizou (alguns deles) durante as instruções de tiro, no estande de São Bernardo do Campo/SP. E lembro que havia um tenente que fica nos zoando: o soldado estava em posição de tiro, esse tenente vinha e dizia “vai levar uma cocada”, pegava o capacete, levantava-o um pouco e soltava de vez... Coisa de quinta série. Após as instruções e meia dúzia de tiros disparados, fazíamos uma marcha. Se não me engano, foram duas instruções de tiro, seguidas de marchas de 8km e 16km.

   No final da década de 1990 o EB os vendeu como sucata (!?), ao ferro-velho, após substitui-los pelo modelo Klevar. Alguns foram recuperados por colecionadores e cuidadosamente restaurados. As camadas de tinta do pós-guerra foram removidas, revelando em alguns uma cruz vermelha, que foi pintada a mão por algum soldado da FEB. É o caso do capacete na foto, que ilustra esse texto. Hoje eles valem de R$500,00 até R$2.000,00 (conforme pesquisa no Mercado Livre) variando de preço de acordo com o seu estado de conservação.
M1 restaurado

   E com certeza, algumas das marmitas de campanha e dos cantis que utilizamos no “ralo” (Cajamar/SP) também vieram do conflito e, infelizmente, tiveram o mesmo trágico fim dos M1. Quanta história, jogada no lixo.






SD Braga

Fontes:
https://instagram.com/chomilitatia 

28/03/2019

General Ventura


 Em 11/2018 aconteceu uma confraternização de reservistas, no 2°BPE (Osasco/SP) e no pavilhão de comando há um "pequeno museu", onde estão expostas condecorações do General de Divisa Domingos Ventura Pinto Júnior (27/06/1915 - 12/07/2007).

 Como Capitão na FEB, Ventura foi comandante da Companhia de Obuses 105mm do 11° R.I. (Regimento Tiradentes), embarcando no primeiro escalão, para o teatro de operações da Itália, em 2 de julho de 1944.

 Em tempos de paz, General Ventura teve sua vida dedicada à Polícia do Exército e hoje dá nome ao 2°BPE. 

SD Braga













Fontes:

http://www.batalhaosuez.com.br/introducaoHomenagemVeteranoFEBgenVentura.htm

https://www.recantodasletras.com.br/artigos/56292


10/03/2019

Asilo dos Inválidos da Pátria


A Ilha do Bom Jesus (RJ) guarda uma parte importante de nossa história militar (Guerra do Paraguai) que é muito pouco explorada: o Asilo dos Inválidos da Pátria.

Moraes no plantão
Nosso amigo SD Moraes Gomes, graduado em História pela USP (2001), defendeu sua tese de doutorado em 2007 - A espuma das províncias: um estudosobre os Inválidos da Pátria e o Asilo dos Inválidos da Pátria, na Corte (1864-1930) – que traz ao nosso conhecimento o que era o denominado “inválido”, as peculiaridades dos serviços médicos da época, prestados a esses combatentes, e aspectos do combate no teatro de operações.

A pesquisa foi realizada entre os anos de 2001 e 2006, praticamente toda ela na cidade do Rio de Janeiro. Entre tantos arquivos, ele pesquisou: o Arquivo Nacional, Arquivo Histórico do Exército, Serviço de Documentação da Marinha, Instituto Histórico Geográfico Brasileiro, Arquivo da Cidade do Rio de Janeiro, Arquivo do Estado do RJ e o arquivo histórico do Museu Imperial (em Petrópolis).

Asilo dos Inválidos - 1909
As cópias da documentação pesquisada foram doadas ao Museu de Polícia Militar de São Paulo e estão disponíveis para quem quiser ter acesso a documentos que não “couberam” no trabalho que está disponível para download. 

Abaixo estão o resumo do trabalho e o link para quem quiser ter acesso aos dois volumes digitais da tese.

Aproveite para saber mais sobre nossa história imperial e militar.

SD Braga



Resumo

Em 1868, foi inaugurado na Ilha do Bom Jesus, na Baía da Guanabara, o Asilo dos Inválidos da Pátria, espaço reservado, em um primeiro momento, e segundo as justificativas explícitas e utilizadas, para garantir unicamente, por mera filantropia, o sustento de numeroso contingente de veteranos da "Guerra do Paraguai", oriundo do exército em operações.

Muitos, entre os anos de 1865 e 1870, foram desmobilizados portando doenças crônicas ou mutilações de seus membros inferiores e superiores, e que se tornaram uma demanda social, grave, para ser revolvida pela administração pública. Eles ficaram conhecidos como os inválidos da pátria.

Entretanto, outras intenções foram identificadas, podendo se afirmar que elas determinaram a feitura do estabelecimento, quando provisório, e depois, como efetivo. Intenções emanadas de percepções que existiram sobre aqueles homens, e suas peculiares condições físicas, e até morais. Outros propósitos, não óbvios, definiram a promoção do estabelecimento entre os anos de 1867 e 1868, na ilha, e que não foram observados explicitamente; mas condicionaram as iniciativas que foram providenciadas, relativas aos inválidos que desembarcavam mensalmente no Rio de Janeiro, e assinalam o que eles realmente significaram para determinados segmentos residentes e atuantes na Corte.

Percepção vulgar, sobre o asilo, é que ele foi construído pelos resultados de uma subscrição pública, promovida em todo o império e executada pelos comerciantes estabelecidos no Rio de Janeiro, membros da antiga Praça do Comércio, depois renomeada Associação Comercial do Rio de Janeiro. No entanto, segundo as investigações nos arquivos, desvendou-se que ele foi edificado pelos esforços pessoais de D. Pedro II, coadjuvado por alguns de seus ministros, mormente os que ocuparam o Ministério da Guerra, entre os anos de 1865 e 1868.

O trabalho tem como proposta verificar o que aqueles homens, considerados inúteis e ociosos, representaram. Para isso, e parte importante sobre o entendimento do inválido da pátria, procurou investigar algumas particularidades do serviço médico prestado aos militares, principalmente a cirurgia militar praticada. Buscou, da mesma forma, investigar algumas características do combate e dos combatentes pelas memórias de veteranos, entre outros documentos coletados na investigação.





O professor Marcelo Augusto Moraes Gomes
no Asilo dos Inválidos, durante sua pesquisa.


09/03/2019

25 anos


  Nesse último dia 07 completou-se mais um ano de nossa incorporação. Parece que foi ontem, mas já se passaram 25 anos!

  Para alguns esse tempo de EB deixou muitas saudades. Para outros, nem tanto... Mas independente disso, todos vivemos uma experiência única e acredito que a maioria de nós tirou algo bom desse período militar obrigatório.

  Foram muitas histórias e fica também a lembrança de nossos amigos que “já se foram”... 


Sd Braga



Uma vez PE, sempre PE!



28/02/2019

Musas Beer


  Nosso amigo SD Quito (PMT), que mudou-se recentemente para Bragança Paulista, inaugurou no dia 14 de fevereiro o seu novo bar: Musas Beer


   Bragança se localiza a 88 Km da capital paulista e é conhecida como a “Terra da linguiça”, além de estar entre os 12 municípios de São Paulo considerados como estâncias climáticas.


   Além dos pontos turísticos como o Lago do Taboão, o estádio do Bragantino, o Museu Municipal Oswaldo Russomano, que guarda um interessante acervo da Revolução Constitucionalista de 1932 e da FEB (2º guerra mundial), há também diversas opções gastronômicas e entre elas o Musas Beer, para tomar aquela cerveja gelada, degustar um bom churrasco e assistir aos jogos esportivos.

  Caso esteja passando pela região, cola lá que tem um bizu padrão!

Rua José Gomes da Rocha Leal, 1126 - Centro



Ganhamos até um lanche comemorativo!





SD Braga

Imagens do batalhão

        
    Um amigo perguntou se eu tinha alguma imagem aérea do 2º BPE (Abílio Soares). Peguei as que tenho no meu arquivo para disponibilizá-las aqui, para quem mais quiser.


SD Braga






Foto feita do P5



Um ex-combatente filmou e podemos ver como está atualmente.


22/05/2018

Banhos



Uma das coisas mais complicadas, no nosso começo de vida militar, era tomar banho. E por um “pequeno” detalhe: o banheiro da CCSv estava em reforma. Ficamos uns três messes sem chuveiros e privadas, urinando em uns recipientes de coleta, verdes e cilíndricos, que depois eram recolhidos por uma empresa privada. Diziam a nós que toda aquela urina era utilizada para fazer um remédio para o coração. Até hoje não me preocupei em saber se realmente serviam para isso, e não vou me preocupar agora. Defecar então, só nas companhias vizinhas, pedindo permissão, lógico.

Bamba cabeção, o que o EB dava.

Todos os dias após a educação física era um tormento: corríamos do pátio para o vestiário, de “5ºA”, lá tirávamos a camiseta, o par de tênis (Bamba cabeção, preto, que tempos depois virou moda usar) pegávamos a toalha e descíamos de short e chinelos (Havaianas pretas, que viraram moda e hoje é “cool” usa-las) novamente ao pátio, entravamos em forma e, marchando sem cadência, nos dirigíamos à primeira companhia. Todos os 120 soldados levavam em média uns 5 minutos para se “lavarem”. Já escrevi sobre isso em outro post (clique aqui para lê-lo), não vou me estender mais sobre esse episódio, porque o motivo desse texto é uma foto que retrata um outro local de banho.

Depois que o segundo acampamento acabou, durante as instruções de bóia de calça e gandola, foram separados 30 soldados que ficaram para desmontar as barracas e outros equipamentos. Eu fiquei entre esses. Os demais voltaram para o batalhão.

Indo ao local de "banho"
Nós que ficamos fomos avisados de que teríamos que tomar um banho. E a história se repetiu: corremos para as barracas, tiramos a farda de ralo, colocamos o short, os chinelos, apanhamos a toalha e entramos em forma. Depois fomos correndo, no barro, para ao local indicado. Chegando lá, nos banhamos rápido e voltamos novamente correndo, no barro, só que agora com os pés molhados, o que fez com que alguns de nós perdêssemos um pé do par de chinelos, preso na lama pela sucção (pode rir, porque foi foda!). Até que não retornamos tão sujos. Depois desmontamos tudo e ao anoitecer retornamos para o quartel.

Havia uma casa velha que servia como base, para rancho, enfermaria e mais o que precisasse. Por um instante acreditei que o banho seria lá, e talvez mais alguém tenha acreditado nisso... Mas não foi lá. Foi nesse local retratado, logo abaixo. Belíssima foto e recordação.


Local do banho: um cano quebrado jorrando água gelada!


SD Braga


13/05/2018

Um eletricista fora dos padrões


    Sim! Para aqueles que não sabem, fui participante das Forças Armadas do Brasil, em 1994. Exército - para os simplistas - PE (Polícia do Exército) para os integrantes do mesmo contingente e os demais que admiram este período em nossas vidas.

   Fui convidado a fazer uma postagem sobre aventuras, desventuras e/ou situações cômicas que vivemos no quartel. Vamos lá:

SD Adomeit, o mocorongo da direita

   
Logo que chegamos no quartel, na 1º semana, estava sendo feita uma avaliação para distribuir os conscritos (ou seja, nós) para o batalhão ou função que mais seria útil no período de engajamento. Na fila em questão, fiz amizade com um CB. Por algum motivo ele "foi com minha cara"! (dizem que ele era meio afeminado, não sei!) E disse:

- O que você fazia antes de vir pra cá?
- Eu? Nada! Era estudante. Por que?
- Acho bom você descobrir uma profissão. Aqueles que não têm uma, fica designado a fazer ronda e guarda.
- E isso é ruim? – perguntei.
- Se você não inventar uma profissão, vai descobrir!
- Olha... Meu padastro é eletricista e muitas vezes fui ajudá-lo nesse serviço...
- Pronto! Diga que você é ajudante de eletricista e você se livra do problema. E foi o que eu fiz.

    Fui então, encaminhado para o PelCom (pelotão de comunicações), onde realizaria um teste para ver se realmente eu era eletricista. Chegando lá, vejo uma bancada e vários conscritos como eu trabalhando em uma calha de lâmpadas florescentes. O TEN, superior responsável pelo pelotão, disse:

- Você! Pegue uma calha e coloque pra funcionar!

    Como vocês devem imaginar, eu não tinha a menor ideia de como fazer isso! Pedi licença, entrei no meio da galera que já estava trabalhando e puxei conversa:

- É cara... A gente se fudeu...
- Pois é... Disse alguém.
- E essa porcaria aqui? Coisa velha da porra!
- Outro respondeu! Vixe! Antigão! Faz tempo que eu não mecho com um desses. Foi minha deixa!
- Eu também! Nem me lembro mais como liga essa porra!
O soldado Misiti disse:
- Ah! Não tem mistério. No reator tem as instruções de que fio liga com qual.

A famigerada calha

    Pegou o reator e me mostrou. Fui seguindo as orientações do Misiti e acompanhando os demais em suas montagens. Não imagina a minha surpresa quando coloquei na tomada e aquela porra funcionou!

- Olha! Ligou! Ligou! Dizia empolgado.

    Os demais olhavam pra minha cara sem entender o motivo da minha empolgação. Demorou meses para meus colegas e líderes do pelotão descobrirem meu embuste. Mas aí já era tarde demais. Esse primeiro episódio abriu precedentes para muitos outros. Era comum eu sair desfilando pelas ruas do batalhão com uma chave de fenda, um alicate e alguns fios. Com isso andava pra todo lado, sem cobranças. Quando um sargento ou cabo vinha me abordar perguntando onde estava indo ou que estava fazendo, eu só dizia: - Estou em missão! Olhava qual a patente de quem falava comigo e só dizia que a missão era para alguém de patente maior que a dele. Obviamente ele não iria questionar um superior: - Então termine o que tem que fazer e volte para seu pelotão – dizia. Ah! Quantas vezes fugia para comer no restaurante dos oficiais! Se alguém me pegasse lá: - Estou em missão!

    Foi divertido e dando certo por um bom tempo. Mas claro que não escreveria sobre isso se não houvesse um "mas". Um belo dia, estou eu fazendo o que sempre gostava de fazer - nada! E um cabo me chama:

- SD Adomeit! Vamos para o alojamento de cabos agora!
- Não posso cabo. Estou em missão.

    Não deu certo. Ele praticamente me pegou pelo braço e me levou até o alojamento deles:

- Precisamos que você puxe uma tomada desse quadro de força pra gente ligar o som.

    Nessa altura do campeonato, eu não só era safo (termo usado no quartel para esperto) como também comecei a acreditar que era eletricista!

- Que absurdo cabo! Não se pode ligar nada direto num cabo de alimentação de energia! Isso pode dar um curto e...
- Mas já tem um fio ligado aí. É só ligar outro.

    Olhei no quadro e realmente tinha um fio grosso de 6mm² enrolado no cabo principal de alimentação de força. Eu não estava errado. Realmente isso não pode ser feito e o perigo é muito grande. Não maior que eu, é claro. Então com ar de superioridade, fui dando bronca no cabo por ter deixado aquilo ter sido feito e por exigir que fizesse algo assim tão perigoso:

- Não senhor! Não vou fazer o que o senhor está me pedindo como também vou soltar esse fio que está aqui! Depois venho com outro eletricista e juntos faremos uma tomada adequada para o senhor.

    Um detalhe: o alojamento dos cabos era nos fundos do alojamento dos soldados, ao lado do banheiro. Um banheiro gigante onde todo mundo tomava banho ao mesmo tempo, vários chuveiros e tal. Justamente neste dia, eu não havia levado o alicate nas minhas andanças. Só chave de fenda, fios e fita isolante. Uma chave de fenda que tinha uns 30 centímetros! Pois com ela comecei a forçar o fio para desenrolar do cabo principal (não queria descer pra buscar alicate). Deu merda! A chave entrou com tudo! E a caixa do quadro de força era de metal. Ficou a chave entre o cabo e a chapa no fundo da caixa. Resultado: Um curto circuito da porra! A chave foi derretendo e uma fumaça branca cheio de faíscas começou a sair do quadro de força!

    Um monte de cara pelado correndo do banheiro! Os cabos todos abandonaram o alojamento! Ficou eu e a porra da chave de fenda derretendo! Eu tentava puxar a chave mas ela não saia. Dei muita sorte de não ter sido eletrocutado. Até que toda a energia da CCSv caiu. Puxei a chave. Ela que tinha uns 30 centímetros agora tinha só 10 no máximo. Uma puta fumaceira branca em todo o alojamento.

- Adomeit? Tá vivo? Que porra você fez aí soldado? Disse um dos cabos entre a fumaça.
- Foi... Foi um acidente cabo...

    O capitão, comandante da companhia, me chamou na sala dele.

- Tô fudido - pensei. E tava!
- Olha Adomeit, se você queimou a máquina de sorvete, além de ter de pagá-la irá preso por 30 dias. Se não, só ficará detido por 30 dias. Boa sorte.
- Mas capitão! Foram eles que fizeram a gambiarra no quadro de força, não eu!

    Com aquele bicudo maldito não havia negociação! Por sorte, não queimou a máquina de sorvete. Fiquei 30 dias detido. E por algum motivo, nunca mais nenhum cabo me chamou para fazer nenhum serviço de eletricista. Fora a zueira dos meus companheiros: Olha lá o Adomeit! Mocorongo!

    Espero que tenham gostado. Tem muito mais tragédias de onde veio essa! Mas fica pra próxima.

Abraço.

SD Adomeit

Texto retirado do blog do autor:

Banda Morro de Fome


  

    A década de 1990 foi muito importante para o rock'n'roll mundial, que delirava com a explosão do que foi chamado de grunge. Bandas como Alice In Chains, Soundgarden, Pearl Jam, Nirvana e muitas outras, fizeram (e ainda fazem) a cabeça de muitos roqueiros.

    E apesar do Brasil ser o país do samba, no 2º BPE havia muita gente que curtia rock (ainda bem). Entre esses estava o SD Graciotti (PelSeg), que desde 2002 toca contrabaixo na banda Morro de Fome, formada na zona norte de São Paulo, no bairro do Edu Chaves. O repertório é basicamente de classic rock, puxado mais para o heavy metal. A banda tem duas músicas autorais: “Morro deFome” e “Apocalipse", mas não chegaram a ser gravadas.

Clique para acessar a fanpage da banda
    Como viver de música, ainda mais de rock, no Brasil é muito difícil, o SD Graciotti também é sócio de uma gráfica que imprime placas decorativas, a ART PRINT Decorações.

    A banda atualmente está em recesso, mas eventualmente se reuni para tocar e curtir o bom e velho rock'n'roll. Infelizmente roqueiro brasileiro tem que ter outra profissão, caso contrário, morre de fome.


SD Braga

Acesse: https://www.artprintdecor.com.br/


A banda mandando Ramones - Poison Heart


Morro de Fome é: Lê (Graciotti) - baixo, Ricardo - guitarra,
Vitão - bateria, Flavinho - vocal, Beto - guitarra / baixo / vocal


12/05/2018

Airton Senna


    Em todo primeiro de maio é relembrada a morte de um dos maiores ídolos brasileiros do esporte: o tricampeão de fórmula 1, Airton Senna da Silva. E o ano de 1994 foi um tanto duro para alguns grandes ídolos: os escritores Mário Quintana e Charles Bukowski, os músicos Kurt Cobain e Tom Jobim, o humorista Mussum, o craque Denner, que despontava no futebol como uma grande promessa, comparado até com o Pelé, pela genialidade.

Cortejo na Av 23 de Maio
    A comoção com a morte do Senna foi algo gigantesco, parou o país. Dizem até que todo brasileiro lembra onde estava quando soube da notícia. Eu lembro: estava no “corpo da guarda”, de serviço. Nosso “quarto de hora” estava sentado no banco da entrada do batalhão e o “cabo de dia”, cujo não lembro o nome, narrava para nós os acontecimentos da corrida: “vai largar”... (minutos depois) “o Senna tá em primeiro”... “o Senna bateu na curva!”... “putz, ele se machucou feio, saiu de helicóptero”... “caramba, o Senna morreu”. Choque total!

    A CCSv fazia o serviço de guarda nesse domingo, pois metade do batalhão estava em Cajamar (SP), “ralando”. Era o primeiro acampamento. Na quarta-feira dessa mesma semana, a rotina foi totalmente altera por conta do velório do Senna, que foi realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, a poucos metros do 2º BPE.

PIC e PelSeg, preparados para a missão
    A maior parte da segurança desse evento, que começou no desembarque do corpo no aeroporto de Cumbica (Guarulhos/SP) e seguiu em cortejo até o Ibirapuera, foi feita pela Polícia Militar. A PE também foi convocada para ajudar. Lembro que foi uma correia, o pessoal cautelando cassetete e capacete preto, para completar o uniforme (calça de passeio, camisa caqui, fieis e braçal preto). Da CCSv, se não me engano, foram só o pessoal do PIC, PelSeg e um ou outro motorista. Nesse dia fiquei na 3º Seção, mas sem nada para fazer, fui sentar no banco de espera do barbeiro, ao lado do pátio, e fiquei vendo a movimentação, os helicópteros que sobrevoavam a região...

Foto: Gazeta Press
    O velório durou 22 horas e teve a presença de várias celebridades, além do presidente da república Itamar Franco. Mais um motivo para a presença do exército. Na quinta-feira (05/05/94) o cortejo seguiu para o cemitério do Morumbi, onde o corpo foi sepultado.

  
  
    Logo após a todo esse acontecimento, iniciaram os preparos para o segundo acampamento, do qual eu fiz parte e comentei algo sobre em outra postagem.

     Que o Senna esteja em paz, seja onde for.



SD Braga


Fonte da foto:
http://old.gazetapress.com/pautas/lista/07787/2/ayrton_senna/